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Sergio Moro com escudo da PF atrás
Brasil

PF rebate Moro e diz que não é "trampolim para projetos eleitorais"

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Ex-ministro afirmou que corporação não tem autonomia; em resposta, foi acusado de mentir e fazer ilações

por: SBT News | 15/02/2022 às 19:12

A Polícia Federal divulgou nota nesta 3ª feira (15.fev) para rebater as declarações do ex-ministro e pré-candidato do Podemos à Presidência, Sergio Moro. No documento, a corporação diz repudiar a afirmação de que não tem autonomia e afirma não ser "trampolim para projetos eleitorais".

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Em entrevista à rádio Jovem Pan, Moro disse que o presidente Jair Bolsonaro interferiu na corporação e que hoje "não tem ninguém no Brasil investigado e preso por grande corrupção". "Tenho grande respeito pela PF, mas essa é a Polícia Federal, e esse é o resultado das nomeações que o presidente fez", declarou o ex-ministro da Justiça -- pasta responsável por comandar a PF.

Na nota, a PF diz que "Moro mente" e que "efetuou mais de mil prisões, apenas por crimes de corrupção, nos últimos três anos". Também afirma que o ex-juiz "faz ilações ao afirmar que 'esse é o resultado de quantos superintendentes eles afastaram e que estavam fazendo o trabalho deles'".

"O ex-ministro não aponta qual fato ou crime tenha conhecimento e que a PF estaria se omitindo a investigar. Tampouco qual inquérito policial em andamento tenha sido alvo de ingerência política ou da administração. Vale ressaltar que a Polícia Federal vai muito além da repressão aos crimes de corrupção. Em 2021, bateu recorde de operações. No total, foram quase dez mil ações, aumento de 34% em relação ao ano anterior", argumenta a corporação.

A PF ainda acusa o pré-candidato de confundir "de forma deliberada as funções" da corporação e de desconhecer seu trabalho, mesmo tendo tido a chance de fazê-lo enquanto era ministro: "O papel da corporação não é produzir espetáculos. O dever da Polícia é conduzir investigações, desconectadas de interesses político-partidários. Moro desconhece a Polícia Federal e negou conhecê-la quando teve a chance. Enquanto ministro da Justiça não participou dos principais debates que envolviam assuntos de interesse da PF e de seus servidores".

Leia a íntegra da nota:

"Em entrevista na segunda-feira (14/02) à Jovem Pan, o ex-ministro Sergio Moro fez descabidos ataques à Polícia Federal. A bem da verdade, consideramos importante esclarecer:

Moro mente quando diz que 'hoje não tem ninguém no Brasil sendo investigado e preso por grande corrupção'. A Polícia Federal efetuou mais de mil prisões, apenas por crimes de corrupção, nos últimos três anos.

Neste mesmo período, a PF realizou 1.728 operações contra esse tipo de crime. Somente em 2020, foram deflagradas 654 ações -- maior índice dos últimos quatro anos.

Moro também faz ilações ao afirmar que 'esse é o resultado de quantos superintendentes eles afastaram e que estavam fazendo o trabalho deles'.

O ex-ministro não aponta qual fato ou crime tenha conhecimento e que a PF estaria se omitindo a investigar. Tampouco qual inquérito policial em andamento tenha sido alvo de ingerência política ou da administração.

Vale ressaltar que a Polícia Federal vai muito além da repressão aos crimes de corrupção. Em 2021, bateu recorde de operações. No total, foram quase dez mil ações, aumento de 34% em relação ao ano anterior.

O ex-juiz confunde, de forma deliberada, as funções da PF. O papel da corporação não é produzir espetáculos. O dever da Polícia é conduzir investigações, desconectadas de interesses político-partidários.

Moro desconhece a Polícia Federal e negou conhecê-la quando teve a chance. Enquanto ministro da Justiça não participou dos principais debates que envolviam assuntos de interesse da PF e de seus servidores.

Com o intuito de preservar a imagem de umas das mais respeitadas e confiáveis instituições brasileiras, a Polícia Federal repudia a afirmação feita pelo pré-candidato Moro de que a corporação não tem autonomia.

Por fim, a PF -- instituição de Estado -- mantém-se firme no combate ao crime organizado, à corrupção e não deve ser usada como trampolim para projetos eleitorais."